Muitas famílias tiveram que deixar a favela compulsoriamente, às pressas, sem destino certo. Em abril de 2025, acontecia a primeira mudança. Hoje, abril de 2026, de 900 famílias, restam apenas 40 vivendo entre escombros, navegando obstáculos burocráticos e convivendo com violência policial permanente. O território do Moinho foi transformado em campo de batalha eleitoral com a estigmatização dos moradores, a criminalização e a violação de uma série de etapas e critérios do acordo firmado entre governo estadual, governo federal (dono do terreno) e a Associação de Moradores.
A tentativa de desmantelar a organização comunitária, no entanto, não funcionou. Com coragem, outras moradoras tomaram a frente da Associação e, com apoiadores, criaram o Comitê em Defesa do Moinho e pela Liberdade das Pessoas Presas. A luta por respeito, contra a violência policial e as demolições enquanto ainda tem gente dentro da favela, bem como pelo atendimento digno de todas as famílias segue, incessante.
Favela do Moinho hoje
História
No bairro de Campos Elíseos, no centro da cidade de São Paulo, é possível ver o percurso de linhas de trem que se bifurcam para se encontrarem de novo lá na frente. Esse encontro-separação-encontro cria um espaço murado em formato de olho. Dentro desse olho está a última favela do centro, a Favela do Moinho. Ela ocupa, há cerca de 40 anos, o espaço em ruínas do antigo Moinho Matarazzo e já foi o lar de mais de 2500 famílias. Alvo direto da especulação imobiliária e de projetos de “enobrecimento”, a comunidade do Moinho resiste em uma das áreas mais valorizadas da cidade, o bairro dos Campos Elíseos.
Casa Pública
A Casa Pública é uma intervenção urbana, resultado de um processo de residência artística e pesquisa iniciado em setembro de 2012 na Favela do Moinho. Pudemos assim nos aprofundar nas questões e problemáticas do espaço, bem como conhecer seus atores locais. Após um longo período de convivência cotidiana e com a percepção das dinâmicas de uso do espaço, iniciamos a construção da Casa Pública em parceria com catadores e moradores, utilizando as tecnologias locais, os recursos disponíveis na comunidade e os materiais descartados pela cidade. Desde junho de 2013, ela serve como um importante espaço aglutinador, articulador e potencializador de diversos agentes políticos e culturais internos e externos à comunidade.
Parque Vermelhão
“Vermelhão” foi o nome dado pelos moradores a um espaço localizado ao lado do viaduto, usado principalmente pelas crianças do Moinho como área de lazer. Depois do último grande incêndio que atingiu a favela, em setembro de 2012, esse espaço virou depósito de lixo, entulho e cinzas. Com a reconstrução das casas, o entorno dessa área voltou a ser ocupado. Surgiu então o desejo de reconstrução e resgate desse importante espaço público. O Parque Vermelhão é uma extensão e um desdobramento direto da Casa Pública.
Muro
Com o muro cortando a favela ao meio e sem uma rota de fuga, em 2013, na gestão Haddad, depois de diversas tentativas de diálogo com a administração municipal, em 4 de agosto a Associação e os moradores realizaram um ato para derrubar o muro com as próprias mãos e criaram a rota de fuga. Esse ato ficou conhecido como a “Queda do Muro da Vergonha”.




































